• Home
  • >
  • Psiquiatria
  • >
  • Redes sociais e saúde mental: pesquisa da UNICAMP analisa riscos para jovens

Redes sociais e saúde mental: pesquisa da UNICAMP analisa riscos para jovens

Sumário

As redes sociais tornaram-se parte central da vida cotidiana de adolescentes e jovens adultos. No Brasil, estima-se que cerca de 99% dos jovens entre 15 e 17 anos utilizem redes sociais, o que torna o ambiente digital um fator cada vez mais relevante para compreender a saúde mental dessa geração.

Foi a partir dessa realidade que o médico psiquiatra Dr. Gabriel Monteiro, atual diretor técnico da Mentaldoc Psiquiatria, desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso na área de Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

A pesquisa buscou compreender como o uso das redes sociais pode influenciar comportamentos de risco em jovens, especialmente automutilação e ideação suicida, temas que têm despertado crescente atenção da psiquiatria contemporânea.

O trabalho foi realizado sob orientação da Profa. Dra. Eloisa Helena Rubello Valler Celeri, pesquisadora reconhecida na área de saúde mental da infância e adolescência. Mídias Sociais e Saúde Mental


O que investigou o estudo

O TCC consistiu em uma revisão narrativa da literatura científica, analisando pesquisas que investigam a relação entre o uso de mídias sociais e o risco de comportamentos autolesivos em adolescentes.

A análise buscou identificar quais fatores presentes no ambiente digital podem contribuir para o sofrimento psíquico e quais elementos podem atuar como fatores de proteção.

O estudo parte do princípio de que as redes sociais não são apenas ferramentas de comunicação, mas sim um ambiente social estruturante da experiência emocional de jovens na contemporaneidade.


Principais fatores de risco identificados

A literatura científica analisada na pesquisa aponta alguns mecanismos importantes que podem aumentar o risco de sofrimento psíquico.

Cyberbullying

O cyberbullying representa uma forma de violência psicológica que ocorre em ambientes digitais, como redes sociais e aplicativos de mensagens.

Estudos indicam que entre 20% e 40% dos jovens já foram vítimas desse tipo de agressão, situação associada a maior prevalência de sintomas depressivos, ansiedade e ideação suicida. Mídias Sociais e Saúde Mental

Diferentemente do bullying tradicional, o cyberbullying pode ocorrer de forma contínua, ampliando o impacto emocional.


Exposição a conteúdos autolesivos

Outro fenômeno descrito na literatura é a exposição a conteúdos relacionados à automutilação, como imagens e relatos sobre cutting.

Esse tipo de material pode atuar como gatilho emocional ou contribuir para a normalização desses comportamentos em jovens vulneráveis.


Contágio social e o efeito Werther

A literatura também descreve o chamado efeito Werther, fenômeno no qual a exposição a relatos sensacionalistas ou detalhados de suicídio pode influenciar comportamentos imitativos em indivíduos suscetíveis.

No ambiente digital, onde conteúdos circulam rapidamente, esse efeito pode ganhar ainda mais força.


Uso excessivo das redes sociais

Outro achado recorrente nos estudos analisados é a associação entre uso prolongado de redes sociais e maior sofrimento emocional.

Pesquisas sugerem que o uso intenso — frequentemente definido como mais de três horas diárias — pode estar associado a maior risco de sintomas depressivos e ansiedade em adolescentes. Mídias Sociais e Saúde Mental


O potencial protetor do ambiente digital

Apesar dos riscos, o estudo também aponta que as redes sociais podem exercer efeitos positivos na saúde mental, dependendo do tipo de conteúdo consumido e das interações realizadas.

Entre os fatores de proteção descritos estão:

Efeito Papageno

O chamado efeito Papageno descreve o impacto positivo de conteúdos que mostram histórias de superação, busca por ajuda e estratégias de enfrentamento.

Esse tipo de narrativa pode reduzir pensamentos suicidas e estimular a procura por apoio.


Conexão e suporte emocional

Para muitos jovens, as redes sociais funcionam como espaços de pertencimento e troca de experiências.

Quando utilizadas de forma saudável, essas plataformas podem favorecer apoio emocional, compartilhamento de experiências e redução do isolamento social.


Conclusões da pesquisa

O trabalho desenvolvido pelo Dr. Gabriel Monteiro reforça que o impacto das redes sociais na saúde mental é complexo e multifatorial.

As plataformas digitais podem atuar tanto como fatores de risco quanto como espaços de apoio e prevenção.

Por isso, a literatura científica aponta que o caminho mais eficaz não é simplesmente restringir o uso das redes sociais, mas sim compreender melhor como elas influenciam o comportamento e promover um uso mais consciente e saudável dessas ferramentas.

Artigo escrito por:

Dra. Jennyfer Domingues

CRM SP 175911 RQE 1020061

Médica psiquiatra especialista em infância e adolescência e em psiquiatria do esporte, doutoranda em Psiquiatria pela UNICAMP e diretora estratégica da MentalDoc Psiquiatria.

Gostou do conteúdo? Compartilhe:
Foto de Redator do Site MentalDoc
Redator do Site MentalDoc

Na MentalDoc, somos uma clínica dedicada a promover a saúde mental e o bem-estar de nossos pacientes com cuidado, competência e compaixão. Nossa clínica é formada por uma equipe de profissionais altamente qualificados e experientes em diversas áreas da psiquiatria, prontos para oferecer um atendimento personalizado e humanizado.